O ChatGPT vai mostrar anúncios com imagem. 93% de quem clicou era gente nova.
Segundo a Triple Whale, 93% das pessoas que chegaram ao site da Portland Leather vindas de anúncios no ChatGPT eram visitantes novos. O número aparece no anúncio que a OpenAI publicou em 5 de outubro, apresentando um formato de anúncio com imagem dentro do ChatGPT e uma lista grande de parceiros de mensuração. O teste começa ainda este mês, nos Estados Unidos, com um grupo restrito de anunciantes.
Para quem tem empresa no Brasil, a notícia não é "chegou mais um canal de mídia". É que um lugar onde 1,2 bilhão de pessoas por semana fazem pergunta, comparam opção e decidem compra passa a ter espaço comercial. E o primeiro formato pago desse lugar não é texto, é imagem.
O que exatamente foi anunciado
A OpenAI descreveu quatro coisas no mesmo comunicado.
A primeira é o formato. São anúncios visuais que mostram o produto em uso, ou a situação que o produto permite, em vez de apenas descrevê-lo. O teste inicial acontece durante a geração de imagem no ChatGPT, para quem está nos planos Free e Go. A empresa diz que os anúncios aparecem identificados como anúncio e separados da imagem que o usuário está criando.
A segunda é a regra que a OpenAI repetiu duas vezes no texto: publicidade não influencia a resposta que o ChatGPT dá. É uma distinção que vale guardar, porque muda o jogo de quem trabalha com busca. Não dá para comprar posição dentro da resposta. Dá para comprar espaço ao lado dela.
A terceira é mensuração. A OpenAI abriu integração com Hightouch, Tealium e LiveRamp para o anunciante mandar dado de conversão dos sistemas que já usa. E listou parceiros de atribuição conhecidos, entre eles AppsFlyer, Triple Whale, Adjust, Northbeam, Branch, Singular e Kochava. Para incrementalidade, que é medir o que só aconteceu por causa do anúncio, citou testes geográficos com Haus, Measured e WorkMagic.
A quarta é adequação de marca. A OpenAI diz ter barreiras que avaliam se a conversa é apropriada para receber anúncio, mantendo publicidade fora de contexto sensível ou emocionalmente delicado. E está montando pilotos de avaliação independente com DoubleVerify e Integral Ad Science.
Os números que a OpenAI escolheu mostrar
Três resultados de parceiros apareceram no comunicado, e vale ler o que cada um está dizendo.
A DV Rockerbox apurou que o custo por aquisição atribuído da WeightWatchers no ChatGPT Ads ficou 15,3% abaixo do benchmark combinado de busca paga da marca. Ou seja, saiu mais barato que o canal de referência dela.
A WorkMagic apontou ganho estatisticamente significativo para a marca de bem-estar Dose, com 67% das compras incrementais vindas de clientes novos.
E a Triple Whale, o número da abertura: 93% dos visitantes da Portland Leather vindos de ChatGPT Ads eram novos.
São três marcas, escolhidas pela própria OpenAI, num teste inicial e fechado. Não é amostra de mercado e não serve de promessa. Mas o padrão entre elas aponta a mesma direção, e é a direção que interessa: o tráfego que sai daí tende a ser gente que a marca ainda não tinha.
Por que isso é diferente de comprar busca
Em busca tradicional, a pessoa já sabe mais ou menos o que quer e digita. Em conversa com IA, ela descreve um problema e deixa a ferramenta estruturar a solução. O contexto comercial é construído dentro do diálogo, não escolhido numa palavra-chave.
Isso tem uma consequência prática para posicionamento. Em busca, quem ganha é quem casa com o termo. Em conversa, quem ganha é quem casa com a situação. Uma empresa que descreve o que vende em termos de produto ("software de gestão financeira") compete pior nesse ambiente do que uma que descreve em termos de problema resolvido, porque é o problema que a pessoa digita.
Vale notar também o que o teste escolheu: geração de imagem, usuários de plano gratuito, Estados Unidos. É um ambiente onde a pessoa está em modo exploratório, criando algo, não finalizando uma compra. Formato visual em momento visual.
O exercício de uma hora para fazer esta semana
Nada disso exige orçamento agora. O canal ainda está em teste fechado e fora do Brasil. O que dá para fazer é chegar preparado.
Abra o ChatGPT e descreva, com as palavras de um cliente, o problema que a sua empresa resolve. Não digite o nome da empresa. Veja o que aparece e quem é citado.
Anote as palavras que a resposta usa para nomear a sua categoria. Compare com as palavras que estão no seu site. Se forem diferentes, o seu site está escrito para um buscador que já não é o único.
Levante quanto você paga hoje por aquisição em busca paga. É o número que vai servir de comparação quando o canal abrir, exatamente como a WeightWatchers usou o dela.
Separe três a cinco imagens que mostrem o seu produto ou serviço sendo usado por gente de verdade, não foto de catálogo. É o ativo que falta na maioria das PMEs e é exatamente o que esse formato pede.
Verifique se o seu sistema de vendas registra a origem do visitante de forma confiável. Toda a conversa de mensuração do comunicado depende disso funcionar do seu lado.
Quem quiser acompanhar a abertura pode se cadastrar em ads.openai.com, o endereço indicado pela própria OpenAI.
O que isso muda no médio prazo
Durante vinte anos, estar bem posicionado significou aparecer numa lista de links. O formato anunciado agora sugere que uma parte da descoberta vai acontecer dentro de uma conversa, com a marca entrando por imagem e não por link azul.
Nenhuma empresa precisa reagir hoje. Mas quem já está descrevendo o próprio negócio em termos de problema, com imagem real de uso e com origem de venda rastreada, vai chegar nesse canal com vantagem sobre quem vai começar a arrumar a casa no dia em que ele abrir no Brasil.
Fontes
Quer uma leitura de como a sua empresa aparece hoje quando alguém descreve o seu problema para uma IA, e o que ajustar antes desses canais abrirem por aqui? Fale com a BBM space em oi@bbmspace.com ou no WhatsApp (11) 93231-0504.





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