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A dona do Claude reescreveu as regras. Quem usa IA em marketing tem até 12 de novembro.

Foto do escritor: Gabriel Evangelista
Gabriel Evangelista
há 13 horas
4 min de leitura

A Anthropic, dona do Claude, publicou em 8 de outubro a nova versão da sua Política de Uso. Ela entra em vigor no dia 12 de novembro. A empresa diz que a maior parte das mudanças serve para esclarecer regras que já existiam, mas há três pontos que mudam o dia a dia de quem usa IA em marketing, atendimento e gestão.

Vale ler agora porque fornecedor de IA costuma seguir o mesmo caminho em pouco tempo. Quando um dos três maiores escreve uma regra, os outros tendem a escrever parecido.


Primeiro ponto: campanhas enganosas viraram uma seção própria

A Anthropic criou uma seção nova chamada Não Realize Campanhas Enganosas ou Atividade Artificial. Antes essas proibições estavam espalhadas por eleições, fraude, privacidade e desinformação. Agora estão juntas, e a redação vale para qualquer tipo de campanha, política ou comercial.

A seção cobre três coisas: esconder quem está por trás de uma mensagem, amplificar conteúdo através de contas ou posts falsos, e construir as ferramentas e a infraestrutura que fazem campanhas de influência funcionarem.

No relatório de inteligência de ameaças de setembro, a empresa descreveu o que motivou a mudança: veículos de mídia estatal, escritórios de propaganda de governo e empresas comerciais usando o Claude para operar redes de contas falsas e sites de notícia fabricados.

A parte comercial é a que interessa aqui. Se a sua agência ou o seu time usa IA para gerar volume de comentários, avaliações, perfis de apoio ou qualquer coisa que simule gente real falando bem da marca, isso é exatamente o que a regra descreve.


Segundo ponto: humano no circuito deixou de ser recomendação

Quando o produto é usado de um jeito que afeta saúde, direitos legais, finanças, meio de vida ou acesso a serviços essenciais de alguém, a Anthropic exige duas coisas. Um humano qualificado no circuito, com autoridade real para revisar e alterar a recomendação do modelo. E o aviso à pessoa afetada de que IA foi usada.

Essa exigência não é nova. O que mudou é que a seção foi reescrita para listar diretamente quais tipos de recomendação estão cobertos e quais não estão, porque clientes perguntavam isso o tempo todo.

Traduzindo para a realidade de uma empresa média: se você usa IA para triar currículo, para decidir limite de crédito, para analisar proposta de seguro, para orientar paciente ou para qualquer coisa que mude a vida prática de alguém, você precisa de uma pessoa com poder de dizer não no meio do processo. E a pessoa afetada precisa saber que teve IA ali.

Na prática isso significa rever três coisas: quem é esse humano, se ele realmente tem autoridade para contrariar o sistema, e onde está escrito o aviso.


Terceiro ponto: vigilância e regras sobre hardware

A seção de vigilância foi reescrita para ser mais explícita. Rastrear pessoas sem consentimento está proibido, em tempo real ou pela análise de dados coletados antes. O modelo não pode ser usado para decidir ou recomendar quem investigar, prender ou acusar. E não pode ser usado para construir ou melhorar ferramentas desenhadas para vigilância.

A política também lista o que continua permitido, e isso importa para quem tem medo de errar por excesso: rastreamento que a pessoa aceitou, como monitoramento de fraude, moderação de conteúdo, jornalismo e pesquisa jurídica.

Há ainda uma adição para quem conecta modelo a equipamento físico. Se a IA está ligada a hardware que age sozinho e pode causar ferimento, um operador qualificado precisa conseguir observar o equipamento e parar ele quando for necessário, e o equipamento precisa manter um estado seguro se o modelo for desconectado.


O checklist de trinta minutos

Você tem até 12 de novembro. Trinta minutos resolvem a maior parte.

  1. Liste todo lugar onde a sua empresa usa IA hoje. Inclua o que o time usa sem você ter aprovado formalmente.

  2. Marque quais desses usos tocam em saúde, dinheiro, contratação, crédito ou acesso a serviço. Esses são os de risco alto.

  3. Para cada um marcado, escreva o nome da pessoa que revisa e confirme se ela pode contrariar a recomendação. Se não pode, não é humano no circuito, é carimbo.

  4. Procure onde está escrito para o cliente que IA foi usada. Se não existe, escreva uma frase e coloque no lugar certo.

  5. Verifique se alguma rotina da sua operação gera conteúdo que parece vir de pessoas que não existem. Perfil, avaliação, comentário, depoimento.

  6. Leia a política oficial no site da Anthropic e salve a data de 12 de novembro no calendário.

Esse checklist não é só sobre o Claude. Serve para qualquer fornecedor, porque a direção do mercado é a mesma.


O que isso diz sobre o mercado

Está ficando mais caro usar IA para parecer maior do que você é, e mais barato usar IA para atender melhor quem já é seu cliente.

A regra sobre contas e conteúdo artificial fecha a porta de um atalho que muita agência vendeu nos últimos dois anos. A regra sobre humano no circuito transfere responsabilidade de volta para quem decide, não para o fornecedor do modelo.

Para quem construiu reputação em entrega, isso é boa notícia. O concorrente que crescia inflando número vai ter que escolher outro caminho.


Fontes

Precisa mapear onde a sua empresa usa IA e o que precisa de ajuste até 12 de novembro? Fale com a BBM space em oi@bbmspace.com ou pelo WhatsApp (11) 93231-0504.

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